"Literariamente falando" - A casa com jardim - 1º Capítulo

A Casa com Jardim - Capítulo 1 (Excerto)


Como referido no último post do Obturador do Pensamento e até ao dia 1 de Janeiro lançarei para aqui excertos do meu segundo livro - A Casa com Jardim - depois do "Onde nos encontramos" . Numa tentativa clara de chegar a um consenso se faço ou não uma edição de autor (como no primeiro) a verdade é que gostava de saber se a minha escrita chega ao número que idealizava. Diariamente colocarei excertos dos capítulos já escritos e revistos. Vou entrar numa fase de "angariação" de vontade para retomar as escritas, quem sabe, uns passeios pelo Porto me inspirem. A Carminho e o Eduardo são ambos do Porto. Vivem perto da Faculdade de Belas Artes e do Jardim. Têm um cão de raça Golden Retriever, o seu nome é Book. Está ou não relacionado com a saída repentina da Carminho? É o que vos convido a descobrir nos próximos dias. O Blog chegou ao mundo no dia 1 de Janeiro de 2017 às 14:00. Cada excerto está agendado exatamente para as 14h. Façam comentários, ajudem-me a construir o que falta da história :) Beijinhos e Abraços, Chico
"...Porto, 2 de Janeiro 2012
Eduardo nem queria acreditar no que o novo ano lhe estava a trazer – Carmo, Carminho, como a tratava desde os tempos da faculdade, saíra de casa sem dar explicação. A vida como jornalista não estava a correr como queria; acreditava que na vida havia sempre uma altura certa para deitar tudo para trás das costas, enviar o chefe às ortigas, dedicar-se à escrita, à fotografia, aos animais. Book, o seu cão de raça golden retriever deambulava entre as quatros paredes daquele apartamento em plena baixa do Porto. Sem vontade de ir para o jornal decidiu empacotar tudo e fugir. O Book, que ia passear sempre que o Eduardo saía à rua, naquele dia iria viajar até mais longe, de carro, rumo ao norte. Enviou uma mensagem à Carminho perguntando o que se estava a passar, se o problema era do cão estar sempre a fazer xixi no velho vaso vermelho que a avó Zulmira lhe oferecera quando fora para a casa nova. Até ponderou se tinha algo a ver com o seu desempenho sexual nas últimas noites! Sentia o coração aos pulos, parecia uma barata tonta de um lado para o outro, da casa de banho para o escritório, da cozinha para o quarto, da despensa para a varanda. Acendeu um cigarro, chamou estúpida à Carminho no ar frio de Janeiro. O Book voltou para junto dele, com um pequeno balanço ergueu as patas e abraçou a cintura de Eduardo. Enternecido com aquele gesto do seu fiel companheiro afagou-lhe o focinho. Olhou os carros estacionados na rua; o seu permanecia ali em frente ao café do senhor Sousa. Voltou para dentro, com a esperança, ainda que vã de receber notícias da Carminho. Mas o que é facto é que recebeu a mensagem dela: “A minha saída não teve a ver com o Book ou a tua indiferença para comigo nos últimos dias. Não estamos bem um com o outro. A vida é assim mesmo! Não fiques no Porto, viaja, sai, vai ver mundo, isso também te fará bem. Toma conta do Book, deixa o alarme ligado e por favor, deixa o vaso ficar onde está. Vou passando por aí para regar as plantas. Beijo, Carminho”.- És um parvo Eduardo! Não percebeste os sinais?
 O Book estranhou a sua subida de voz; ergueu-se e voltou para o pé dele com a cauda a abanar, tinha o dom de o acalmar quando os nervos estavam à flor da pele. E nos últimos tempos conseguira fazê-lo ficar fora de si.- Vamos companheiro?Colocou as gamelas num saco de plástico, as roupas enfiadas num saco verde tropa e o portátil na mochila. O Book viajaria como sempre, no lugar do passageiro por cima de um tapete velho. Levou dois brinquedos e deixou-o fazer xixi antes de entrar no carro. Fechou a porta do prédio e partiu, com vontade de não voltar... por muito que gostasse da casa ou da cama que o fazia suspirar por Carminho..."




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