Recados antigos - 11

Lá, ao longe o som de pássaros e da água a correr lentamente pelo vale, surgem-me em catadupa sonhos e pensamentos partilhados. Não sei porquê mas nestes útlimos tempos tenho querido estar perto ou até mesmo nos lugares onde fomos felizes. Será saudade ou vontade de te expulsar ainda mais de mim? Cada vez mais, desde que aqui cheguei, sinto pedaços de ti a saírem do meu corpo, tudo o que me deste, em forma de amor e não só vão agora rio abaixo tal como a famosa garrafa que te leva esta mensagem. No filme, que tantas vezes revimos, era uma mensagem bonita, de amor, nesta carta que agora te escrevo vão o que resta do meu desamor. 

Fez-me, afinal bem, regressar onde já fui feliz mesmo que esses lugares estejam repletos de traços teus, ainda me lembro que foi junto àquela árvore que fotografei o teu corpo quase avermelhado pelo incrível sol de Agosto. Naquela água transparente perdemo-nos em beijos e amaços, deixavas-te cair nos meus braços porque estavas segura do meu amor, mas... e eu? Podia confiar no teu sorriso e nas tuas palavras? 

Lá no meu fundo, gostava de poder acreditar nessa tua forma de estar, nesse teu sorriso esbranquiçado. Sabes? Penso em ti, não porque ainda te ame mas sinto que assim consegues partir dando-me a paz que preciso para seguir o meu caminho. Não posso mesmo ter-te por prioridade porque sei que sou apenas uma opção. Em tempos foi viável, hoje em dia já não digo o mesmo. Por isso, esta é a última carta que te escrevo. Não quero gastar mais papel contigo, as canetas usá-las-ei para escrever sobre e a quem merece. Fiz-te uma canção, mas já nem essa consigo guardar no coração, não consigo (nem tento) entender as palavras nela escritas. Posso até guardar memórias de um beijo, daquele abraço, mas deixei há muito de te querer ter do meu lado. 

Não te desejo mal, até porque sei que mereço sorrir no final de mais um quente verão, do qual não farás parte. Não estarás no meu coração! Já sei o que vou fazer: deixar que a caneta acabe finalmente e na mesma garrafa enviar-te para que possas ter uma última recordação minha: uma caneta gasta, tal como ficou a nossa amizade... 

Adeus! 


Francisco Milheiro 
29 Julho 2011

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