Sugestão de leitura by Bertrand Livreiros

A nova edição de «Lápides Partidas», de Aquilino Ribeiro, com prefácio de António Ventura, chega às livrarias na sexta-feira, dia 17 de novembro. Integrado na publicação da obra completa, este livro, parcialmente biográfico, narra o período revolucionário que culminou com o derrube da monarquia.



“Não deu ares de se espantar com a minha aparição, como se fossem favas contadas, o impagável e fero amigo do liceu. Pela greta da porta, em ceroulas e chinelos de tapete, disse-me para o esperar em baixo, no «galego», e rodou, tornando a dar a volta à chave. Ao tempo que desandava, ouvi tossicar uma garganta de mulher, e fiquei a admirar o sibaritismo deste felizardo e a invejar-lhe a sorte de cão.”

Sinopse:

Lápides Partidas continua A Via Sinuosa. Libório Barradas, ainda preso às recordações tão profundamente sentidas de Santa Maria das Águias, deixa o enquadramento serrano da sua juventude e vem encontrar na Lisboa do tempo o ambiente pré-revolucionário que dois anos depois iria provocar o derrubamento da monarquia. Foi um período caldeado de idealismos e esperanças, que culminaria com a proclamação da República. Este livro guarda um sabor autobiográfico: o testemunho de Libório Barradas é o do próprio Aquilino — personagem ativa de muitos dos acontecimentos políticos ocorridos nos fins do reinado de D. Carlos e nos primeiros dias do de D. Manuel — que vem impregnar de um tom efetivamente vívido os episódios em que se embrenha a figura principal do livro.

Sobre o autor: 

Aquilino Ribeiro nasceu na Beira Alta, concelho de Sernancelhe, no ano de 1885, e morreu em Lisboa em 1963. Deixou uma vasta obra em que cultivou todos os géneros literários, partilhando com Fernando Pessoa, no dizer de Óscar Lopes, o primado das Letras portuguesas do século XX. Foi sócio de número da Academia das Ciências e, após o 25 de Abril, reintegrado, a título póstumo, na Biblioteca Nacional, condecorado com a Ordem da Liberdade e homenageado, aquando do seu centenário, pelo Ministério da Cultura. Em Setembro de 2007, por votação unânime da Assembleia da República, o seu corpo foi depositado no Panteão Nacional.

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